plano de acessibilidade digital em editais: como não perder pontos (e nem a cabeça)
janeiro chegou e com ele aquela velha conhecida de quem produz cultura no brasil: a temporada de planejamento de editais.
se você tem um estúdio de games ou uma produtora, já conhece a cena: você tem a ideia incrível, o orçamento na ponta do lápis, o cronograma afiado… e então chega na aba “medidas de acessibilidade” do formulário.
é nessa hora que muita gente trava. ou pior: copia e cola um texto genérico da internet prometendo “legendas e libras”, sem saber se vai conseguir entregar ou quanto isso vai custar.
na eachline, nós conhecemos esse frio na barriga. em 2023, quando submetemos o projeto do nosso jogo bodyguards no proac, passamos exatamente por isso. e aprendemos que um bom plano de acessibilidade digital não é apenas uma exigência burocrática para cumprir tabela; é um diferencial competitivo que pode definir se o seu projeto ganha ou perde a verba.
aqui vão 3 lições que aprendemos na prática (e aprovamos no edital) para você aplicar no seu projeto de 2025:
1. seja realista: prometa o que cabe no orçamento
o erro mais comum é prometer o mundo e não ter verba para entregar. acessibilidade digital custa dinheiro e tempo. no seu plano, descreva recursos que sejam viáveis para o tamanho da sua equipe. é melhor prometer uma implementação impecável de remapeamento de controles e legendas bem feitas do que prometer audiodescrição completa sem ter orçamento para contratar um profissional especializado. avaliadores percebem quando o plano é “pra inglês ver”.
2. acessibilidade digital começa na divulgação
muitos editais pedem acessibilidade digital não só no produto final (o jogo ou site), mas no processo. o que isso significa? que as redes sociais do seu projeto também precisam ser inclusivas. no nosso plano, incluímos o uso de #pracegover (descrição de imagens) em todos os posts de divulgação. isso mostra para a banca que a cultura da inclusão faz parte do dia a dia do estúdio, não é só um puxadinho no final.
3. conecte o recurso com a arte
não jogue a acessibilidade digital como um anexo técnico. explique como ela conversa com a sua obra. no caso do bodyguards, explicamos como o alto contraste não era só funcional, mas parte da estética “neon/cyberpunk” do jogo. quando você mostra que a acessibilidade digital foi pensada junto com o game design, você ganha pontos por coerência artística e maturidade técnica.
resumo da ópera:
um plano de acessibilidade digital vencedor é aquele que é honesto, técnico e humano. ele mostra que você se importa com quem vai jogar/usar seu produto.
se você está escrevendo seu projeto agora e travou nessa parte, não chute. a eachline nasceu justamente dessa experiência. nós podemos ajudar a desenhar ou revisar o plano de acessibilidade do seu edital, garantindo que ele seja viável tecnicamente e financeiramente.
vamos garantir que seu projeto de 2025 seja para todo mundo?